segunda-feira, 13 de setembro de 2010

É Fantástico? Nada, fantástico é pouco!


Depois de um bom tempo sem postar, cá estamos. No plural mesmo, porque creio que esse post representa não só a minha revolta, mas a de toda a população de Imperatriz, que se viu ridicularizada após a matéria do programa Fantástico, que é bem mais que fantástico. Porque não é qualquer um que consegue fantasiar e maquiar algo como fizeram ontem. Estou falando da matéria que fizeram no quadro "É Bom Pra Quê?", que houve a participação do nosso tão conhecido químico Frazão.

Para saber do que se trata, veja a matéria: Químico do MA receita extrato de graviola para tratar câncer

Agora, para saber do que REALMENTE se trata, leia o post de Samuel Souza:

Antes de tudo, Frazão é um velho sonhador, desinibido quanto à busca do conhecimento e da prova das coisas como elas não deveriam e podem ser. É um valor incontestável que existe em Imperatriz, e disso, não tenho nenhuma dúvida.
A matéria exibida no Fantástico sobre a pesquisa de Frazão utilizando a graviola como tratamento, foi antes de tudo covarde e unilateral. Por mais que tenhamos a política da boa vizinhança, a Rede Globo insiste em agir na propagação da desinformação e do desdenho, como a única voz da verdade. É perigoso, danoso e colocam em cheque aquilo que a maioria dos brasileiros está reféns do que chega a sua casa. O Fantástico tratou o trabalho de Frazão de forma alucinógena e referiu a professora que lança mão do tratamento com a graviola como demente. Antes, porém, fez a referencia de Imperatriz desprovida de saúde pública e privada, exibindo ruas sem infraestrutura como se fosse à cidade como um todo. Além claro, de citar que Imperatriz é composta em sua maioria de analfabetos. E jogou na lata de lixo instituição como a Uema (sem nenhuma sorte de investimento público) e da Infraero, como co-atores da irresponsabilidade do “crime” de Frazão. 
Frazão tem sua pesquisa reconhecida por cientistas da Ucrânia, quando ali se realizou o Congresso Internacional do Comitê de Divulgação de Trabalhos Científicos. Convenhamos, não é algo pouco. 
É por estas e outras que às vezes não consigo dissociar ações louváveis de Frazão da coisa pública, da gestão pública e do investimento público. Se tivéssemos aqui levando a educação como prioridade, a pesquisa cientifica e a produção de conhecimento como tal, evitaria esta mídia ruim como o Fantástico nos expôs da forma mais infame de se imaginar.
Doutor Dráuzio Varela foi antes de tudo omisso à pesquisa de Frazão. Posando de bom moço e de médico da família, cumpriu como um fantoche a pauta da Venus prateada, ignorando sua bagagem quanto médico e pesquisador. E não tenha dúvidas nobre leitores, a imagem negativa de Imperatriz e da pesquisa de Frazão foi assim exposta tendo como base orientação política, infelizmente. Apenas um tronco de uma árvore que não vê! 
Não devemos aceitar e nos referendarmos como uma descarga da desinformação. O Fantástico agiu como uma das épocas mais tenebrosas do conhecimento, que foi a Santa Inquisição, expondo Frazão como um mero bruxo louco de uma aldeia composta de loucos e desprovidos do além-mundo. A forma que o Fantástico e do doutor Dráuzio Varela, lembrou em especificamente, por ser de área correlacionada, o cientista russo Mendeleiev quanto de seus estudos em suprimir as reticências cientifica da química, do qual foi questionado e visto como sonhador. Mendeleiev realmente sonhou e então conseguiu mensurar o que nós conhecemos como Tabela Periódica dos elementos químicos. E aqui existe toda uma história para chegar a tal conhecimento.  
Frazão merece o direito de resposta. Imperatriz merece o direito de resposta.
Entendeu? Mais pessoas podem falar a respeito:
http://porelsonaraujo.blogspot.com/2010/09/o-golpe-dos-produtores-da-globo-no.html
http://kamaleao.com/imperatriz/3153/
http://blogjoaorodrigues.com/2010/09/13/imperatriz-de-forma-negativa-no-fantastico/
http://www.agorabinhi.com/2010/09/e-fantastico.html
http://chiromo.blogspot.com/2010/09/professor-frazao-repercussao-da.html
http://www.jornalpequeno.com.br/blog/robertlobato/?p=12088
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=106291942

O bom é que a Globo também fala a respeito da tão famosa e criticada graviola:

Não digo mais nada.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

"Society, you're a crazy breed"


[...]
Quando você quer mais do que tem
Você pensa que precisa.
E quando você pensa mais do que você quer
Seus pensamentos começam a sangrar.
Acho que preciso encontrar um lugar maior
Pois quando você tem mais do que imagina,
Você precisa de mais espaço
[...] 

Society, de Eddie Vedder. Do filme Na Natureza Selvagem. Totalmente recomendável a quem está querendo fugir que nem eu.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Saudade é bicho danado: a minha, por exemplo, mora há um tempão comigo e ainda não consegui domesticar.
"guardar tudo numa caixa"...

terça-feira, 1 de junho de 2010

Dando um toque de mulherzinha nisso tudo...

Quando Valentina se despediu de Luís sabia que teria de carregar a saudade aonde fosse, e olha que pesava muito! Até costumava brincar dizendo que só podia ter dois corações para caber tanta falta. Às vezes a falta ocupa mais espaço do que podemos pensar, e Valentina sentia bem isso.
Por terem crescido juntos muitos viam de forma pueril, "coisinha de criança, já passa", mas o clima idílico que sempre acompanhara os dois fez com que promessas fossem feitas, e depois que se cruzavam os dedos não poderiam mais voltar atrás. E habitualmente faziam essas promessas, embora a idade devesse trazer consigo um pouco mais de madureza. Mas quem ligava? Valentina, com suas 17 primaveras bem vividas e floridas e Luís, com 20 - até poucos - anos não precisavam contar a ninguém de seus planos, e era o que faziam. Além de promessas, guardavam segredos. Sabiam como fazê-lo. Entre tantas promessas e segredos, o mais importante: um deveria guardar o coração do outro como se fosse seu. Será por isso que Valentina sentia tanto pesar? Daí deve vir a história dos 'dois corações', mas era segredo.
Foi assim, deixando aos cuidados de Valentina o seu órgão mais nobre, que Luís partiu. Para onde? Pergunte a Valentina. Se ela disser, estará desvalidando o cruzar dos dedos. O vazio por ele deixado estava do ladinho de Valentina. Sempre. Mas ela não gostava de comentar sobre, tentava até fingir que a ausência era ausente, mas raramente dava certo. Parece que a vida contrata pessoas para citar o que não queremos e era assim que, vezenquando, Luís protagonizava conversas alheias por horas a fio e para Valentina a saudade tinha gosto amargo. Não era daquelas saudades que têm gosto do melhor abraço, ou do dia laranja, ou da chuvinha que tenta invadir a varanda em vão. Tinha gosto de todas essas saudades juntas e - acredite - o paladar final é pior que chá de boldo.
Mas agora cruzava os dedos prometendo a si mesma que, sem segredo, iria reencontrá-lo em breve. Os 6 meses de miocardite induzida já se findariam. E se findaram. Luís trouxe na bagagem todos os sintomas de Valentina, acompanhados do melhor abraço, um dia laranja seguido de uma chuvinha que tentava invadir a varanda em vão e a promessa de que não mais precisariam dessa ausência. O vazio logo se encheu da presença de Luís e Valentina se livrava do amargor daquela saudade não muito saudável.
Continuaram a cuidar um do coração do outro, já sem peso algum. Agora só lhes restava cruzar os dedos para que aquele sentimento idílico, ou pueril como alguns ainda pensavam, não se amargasse. E não seria errado se isso prometessem. Já não era segredo para ninguém.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sensibilidade

E mais um dia começa na feira.Dia de ganhar e perder dinheiro, dia de comprar e vender e principalmente, de sentir o contraste.Sentir os gritos das galinhas contrastando com o barulho do facão de seu algoz.Sentir o calor humano contrastando com o nada humano.Sentir o cheiro das mais puras especiariais contrastando com a lavagem de alimentos estragados no chão.Sentir.

Dona Maria sente há muito tempo.Com a caixa no chão, joga por cima desta maçãs colhidas no quintal de casa.Olha pro relógio e pensa no cansativo dia que tem pela frente e vê que, realmente, hoje não era daqueles dias que tudo pode acontecer.Num ensaio de microfeira no seu ser, Dona Maria sentiu o cansaço contrastando com a cobiça.

Dona Maria não era daquelas pessoas desapegadas materialmente.Não tinha religião,gostava muito de dinheiro e não entendia quem o tinha e não o desejava mais e mais.Encarava o monetário como solução e dizia que quando ganhasse na sena e fosse muito rica, compraria toda a feira.Com a gritaria alucinante, consegue vender algumas maçãs.O tilintar das moedas contrasta com o nada no bolso.

Do alto dos seus 52 anos, era tida como esnobe por quem a conhecia.Devido ao fato de estar sempre se abanando por causa das fortes ondas de calor provenientes da menopausa, comprara um leque.Leque que comprara com o dinheiro roubado do marido, que quando chegou em casa e não viu seu suado salário, encheu-se de raiva como um touro.E Dona Maria sentiu.Sentiu o contraste da mão pesada do forte homem contra seu rosto bem cuidado.

Dona Maria ficava sempre em frente ao galpão central da feira.Dentro de lá encontrava-se uma verdadeira orgia sensorial.Para os olhos, cores e mais cores das especiarias, tão cobiçadas no passado.Paras os ouvidos, música regional englobada pela dança de alguns circulantes.Para o nariz, derivados de rapé e temperos não tão estimulantes, mas deliciosos do mesmo jeito.Para o paladar, a graça divina por meio dos temperos que exercendo sua função, engloba todos na sinestesia mais perfeita possível.

Dona Maria amava aquele lugar.Lembrava com fervor de sua infância na roça, onde o pai no final do mês vendia tudo o que havia colhido.Sentia o cheiro dos temperos e sentia-se feliz ao ver seu marido, feirante ali.

Sentia raiva dos mendigos, espécie que borbulhava por ali.Mendigos que se autoproclamavam vigilantes de carros e que não satisfeitos, riscavam os carros de quem não os pagava.Vagabundos, por assim dizer.E Dona Maria tinha por eles repulsa.Repulsa dos doentes mentais, bêbados e viciados.

Ela só reparou que a feira estava acabando quando roubaram uma maçã sua.Dona Maria sentiu o forte sol do meio dia batendo em sua macia pele.Juntou as maçãs, colocou-as em um carrinho de mão e foi embora.Para trás, deixou as sensações e algumas maças caídas na lama que estavam podres.Amanhã, pensou ela, alguém sente.